quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Oitavo encontro


ENCONTROS DOS BARDINHOS
Culturas e dissídios

Oitavo encontro: 10 e 11 de Novembro de 2018
organização de Joëlle Ghazarian
Local: Quinta dos Bardinhos, entre Portalegre e Castelo de Vide
Contactos: 245 203 555 ou 967 971 609

Como chegar
Vindo de Portalegre, seguir em direcção de Castelo de Vide. Atravessar a aldeia de Vargem, continuar mais uns 2 km, ao longo de uma recta, até ao Café Fonte do Sapo, situado à direita (toldo branco exterior). Logo a seguir, cortar à esquerda, seguindo a direcção de Fortios. Um quilómetro e meio depois, é a primeira casa à direita, ao fundo do terreno. A meio, dorme uma caravana velha, branca, à sombra de um frondoso carvalho. Abrir o portão verde enferrujado, com duas discretas iniciais cabalísticas, AD, que significam, traduzidas, «amanhã dormimos».
Vindo do lado de Castelo de Vide, tomar a direcção de Portalegre. Uns 10 km após o cruzamento que indica o rumo de Portalegre, cortar à direita, no primeiro aglomerado de casas, junto a um painel de correio, seguindo o rumo de Fortios. Um quilómetro e meio depois, é a a primeira casa à direita, ao fundo do terreno. Idem.   

Sábado 10
15h00 – No ciclo de debates «200 anos de resistência à sociedade industrial»: Civilização, tecnologia e barbárie, sobre uma colectânea de ensaios de David Watson, por Júlio Henriques
17h30 – Presença da poesia luso-árabe, por José Pais de Carvalho
19h00 – Jantar
21h00 – A mulher na poesia de Juan Eduardo Cirlot, por Luísa Falcão Murta

Domingo 11
11h30 – Oficina de Dança Movimento Terapia, por Diana Mota, seguida de uma partilha teórica e debate
13h00 – Almoço
15h00 – Uma apresentação da medicina chinesa, por José Pais de Carvalho

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Diana Mota é licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Estudou línguas e é tradutora desde 1998. Começou a praticar dança contemporânea em 2001 e desde então tem acumulado experiências nesta actividade, tanto de ensino como de criação. Tem trabalhado em projectos de intervenção comunitária, em vários países e em contextos diversos, neles empregando linguagens criativas, em especial teatro e dança. Cursou «Dança na Comunidade» no Fórum Dança (Lisboa, 2007). É Mestre em Drama e Dança Terapia pela Royal Central School of Speech and Drama, da Universidade de Londres. Exerceu prática clínica, como psicoterapeuta pela arte, em diversas instituições de Londres (escolas, residências de idosos, hospitais psiquiátricos). Desde 2011 facilita sessões de dança livre e de DJ, designadamente através de Dança Movimento Terapia com população sénior. Viveu em Lisboa, Madrid, Londres, Bristol e Odemira. Vive perto de Marvão desde 2015. l A sua oficina de dança-terapia, para a qual não é requerida qualquer experiência prévia, consistirá numa introdução exploratória a esta disciplina, através da percepção do corpo, do movimento espontâneo e de formas não verbais de comunicação.
José Pais de Carvalho nasceu em Elvas em 1959, estudou na Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa de Lisboa e especializou-se em Psicologia Transpessoal na Escuela de Desarrollo Transpersonal de Madrid. Foi percursor das aulas de Chi Kong para a terceira idade, trabalhando num projecto-piloto com o Centro São Vicente de Paula, na Serafina (Lisboa) e com a Junta de Freguesia da Serafina (Amadora). Publicou na Argentina, em 2015, o livro La Voz Interior, editado também em Portugal (A Voz Interior, Edições Colibri, Lisboa, 2016); este livro sairá em 2019 em São Paulo, no Brasil, e em Espanha. Tem dois outos livros prestes a serem editados, o romance O Caixeiro-Viajante e um livro de contos.
Coordena os cadernos de poesia Terceira Margem, com Manuel Neto dos Santos, que integra poetas espanhóis. É um dos organizadores da tertúlia literária «Meninos da Avó», em Sintra, a segunda mais antiga tertúlia existente em Portugal. Colabora nas revistas A Ideia, Selene - Culturas de Sintra, Letras Salvajes (das Caraíbas) e numa outra da Argentina.

Luísa Falcão Murta é docente no Instituto Politécnico de Portalegre. Doutoranda em Literatura na Universidade de Évora e Mestre em Estudos Ibéricos pela mesma Universidade, é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Variante Francês/Inglês) pela Universidade Clássica de Lisboa. É colaboradora do Centro Interdisciplinar de Investigação e Inovação do Instituto Politécnico de Portalegre e do CEL - Centro de Investigação em Linguística e Literatura da Universidade de Évora. Nos últimos anos tem desenvolvido os seus trabalhos em torno das questões relacionadas com o estudo da Literatura Espanhola Contemporânea. Os seus actuais interesses de investigação situam-se nas áreas das Literaturas de Vanguarda do século XX, com especial incidência na Teoria da Literatura.
l Juan Eduardo Cirlot (Barcelona, 1916-1973) é um dos mais brilhantes poetas do pós-guerra civil, cuja obra só tardiamente pôde ser apreciada em todo o seu valor.

A Guerra Civil levou-o a interromper os estudos de música, e a partir de 1940 entrou em contacto com o surrealismo, travando amizade com André Breton. Fez parte do grupo vanguardista catalão «Dau al Set» (A Sétima Face do Dado), de influência surrealista, criado em 1948. Além de poeta, Cirlot levou a cabo uma intensa actividade de músico, ensaísta e crítico. Estão publicados em português, em Portugal e no Brasil, o seu influente Dicionário de Símbolos, e, no Brasil, Gaudí. Uma Introdução à sua arquitetura. «A poesia de Juan Eduardo Cirlot é um fenómeno excepcional no panorama da poesia do século XX e o seu nome encontra-se incluído na antologia da poesia surrealista espanhola. Embora a sua poesia tenha muito em comum com o surrealismo, muitos são também os aspectos divergentes.» (Luísa Falcão Murta, na revista A Phala)


Júlio Henriques. Tradutor e editor, escritor ocasional.
l David Watson, poeta e ensaísta norte-americano, sedeado em Detroit. Foi um dos membros mais activos da revista Fifth Estate, a mais antiga publicação libertária dos Estados Unidos.
O seu labor ensaístico e interventivo está estreitamente associado às actividades desta revista, fundada em Detroit em 1965 e que desde então se tornou uma referência na análise crítica do capitalismo megatécnico. «David Watson é um dos poucos autores que conseguiu abordar a questão da tecnologia em todas as suas dimensões – nos efeitos que exerce sobre a consciência individual, sobre o poder político, sobre as formas sociais e culturais, e sobre a natureza. […] A tecnologia tem de ser uma das principais frentes da questão política, e só com obras como esta [Against the Megamachine: Essays on Empire & Its Enemies, 1998] estaremos em condições de entender uma tal problemática para poder agir.» (Jerry Mander, autor, em português, de Quatro Argumentos para Acabar com a Televisão, Antígona, Lisboa, e de «Na ausência do sagrado», Flauta de Luz, nº 1.)   

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NOTA SOBRE O ENCONTRO ANTERIOR
(de 16 e 17 de Junho de 2018)
Fotos de Luís Vintém

O encontro anterior, o sétimo, número mágico, contou com a vívida participação de uma figura pantagruélica, o grande José Galamba, que fez questão de nos trazer um ensopado de borrego de sua lavra. A presença doce e magnética do poeta e ensaísta chileno Jesús Sepúlveda, de passagem por Portugal, a propósito da edição portuguesa do seu manifesto verde O Jardim das Peculiaridades, permitiu-nos ouvi-lo interpretar alguns dos seus empolgantes poemas e conhecer melhor a sua obra.
Jorge Leandro Rosa, vindo do Porto, trouxe-nos uma estimulante leitura de Ivan Illich sobre a pobreza modernizada – palestra incluída no ciclo de debates «200 anos de resistência à sociedade industrial» , a propósito da publicação recente de Para uma História das Necessidades, que co-traduziu e prefaciou.
António Cândido Franco apresentou o seu mais recente livro, Luiz Pacheco Essencial, mostrando-nos aspectos a descobrir da singular personalidade humana e literária do escritor maldito na sociedade portuguesa, «o maior continente submerso da literatura portuguesa».
O actor Nuno Pinto, vindo também do Porto, trouxe-nos a sua mais recente criação a solo, «Best(a) off Tour». Poesia sonora em que é dado à voz um total protagonismo, que está para além do vocábulo, e em que o corpo, assim sonorizado, passa a ter uma presença hipnoticamente deslumbrante e revoltada.
José Vicente e Luís Vintém apresentaram-nos a Agência Calipo, de que são membros, explanando ideias sobre o papel da fotografia no mundo presente e de que modo esta pode intervir não apenas como imagem inocente.
Diana Silva presenteou-nos com um conjunto de trabalhos originais de joalharia, que distribuiu pelos presentes para que pudéssemos, não apenas vê-los, mas tocá-los e usá-los. Estes «objectos vivos», realizados a partir de diversas matérias, ligam entre si a morte e a sexualidade para além das nossas fronteiras ocidentais.
Júlio Henriques apresentou o nº 5 da revista Flauta de Luz, dando grande destaque à experiência em curso na ZAD (Zona a Defender) de Notre Dame des Landes, perto de Nantes, e passando a palavra a Ana Cardoso Pires sobre a experiência de luta contra a implantação de uma mina de ouro perto da aldeia da Boa Fé (Évora).
Carlos Prata, vindo de Lisboa, respondeu espontaneamente ao nosso pedido inesperado de nos falar da situação, que conhece muito bem, dos movimentos sociais em Portugal na última década. As informações e a análise que nos trouxe mostraram-nos uma vitalidade (tanto sua como do tema) que está, por sistema, fora do alvo dos média e que interessou vivamente todos os presentes. 
J.G.












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